A maioria dos casos da epidemia global de Aids é causada pelo retrovírus humano tipo 1 (HIV-1). No entanto, o HIV-2, o outro retrovírus associado à Aids, é epidêmico e endêmico em alguns países da África Ocidental. Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificaram a presença do vírus no Brasil, em situações de coinfecção com o HIV-1.
Em estudo divulgado durante o 2º Congresso de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro,
pesquisadores do Laboratório de Genética Molecular de Microorganismos do IOC confirmaram a presença de coinfecção por HIV-1 e HIV-2 em 15 amostras, de diversos estados brasileiros. Estes achados têm impacto principalmente na questão do tratamento, já que o HIV-2 é naturalmente resistente aos antirretrovirais do tipo não-nucleosídeos. Apesar de responder muito bem à classe dos inibidores de proteases, nos casos de infecção pelo HIV-2 a resposta costuma ter duração pequena e algumas mutações de multiresistência são selecionadas rapidamente.
O gel microbicida contém 1% de tenofovir, um antirretroviral amplamente utilizado no combate ao vírus responsável pela Aids, demonstrou reduzir em 39% o risco de contrair o vírus HIV durante relações sexuais. O medicamento também é eficaz ao prevenir mulheres de ter herpes genital em 51% dos casos. Se outros estudos confirmarem a eficiência do gel tenofovir, o seu uso disseminado, neste nível de proteção, pode prevenir mais de meio milhão de novas infecções por HIV na África do Sul só durante a próxima década. O relatório também aparece na edição online de 20 de julho da revista Science.
Uma importante descoberta de dois poderosos anticorpos naturais, denominados VRC01 e VRC02, no sangue de um indivíduo infectado pelo HIV, traz nova esperança para a produção de uma vacina capaz de proteger de forma ampla contra o vírus da Aids. Inicialmente estes anticorpos são capazes de combater, em laboratório, mais de 90% das cepas conhecidas do HIV.
De acordo com o Dr. Gary Nabel, do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), que dirigiu as equipes de cientistas de várias universidades, como a de Medicina de Harvard, além da descoberta dos anticorpos, também foi demonstrado o mecanismo biológico através do qual estes anticorpos bloqueiam o vírus. A técnica utilizada pelas equipes de pesquisa representa uma nova abordagem que poderia ser aplicada à concepção e ao desenvolvimento de vacinas contra muitas outras doenças infecciosas.
Um grupo de pesquisadores está desenvolvendo uma nova terapia para o tratamento de pacientes com HIV, baseada na reengenharia do sistema imunológico do próprio paciente. A pesquisa teve origem a partir da análise de um paciente que resistia ao vírus de forma particularmente efetiva. Depois de identificar particularidades nas células T desse paciente, os cientistas isolaram uma proteína presente na célula e geneticamente aumentaram sua habilidade de reconhecer as diversas mutações do vírus HIV. O s resultados desse procedimento foram células T com uma capacidade 450 vezes maior de reagir ao vírus. O estudo, que foi publicado na revista Nature Medicine e se baseou em testes sobre culturas de células humanas, será em breve testado em 35 pacientes em estado avaçado da doença.
Um novo exame de sangue denominado NAT, com tecnologia nacional da Fiocruz, deve ser lançado no Brasil em janeiro de 2010 tornando as transfusões de sangue realizadas pelo SUS muito mais seguras. Enquanto os exames atuais detectam o vírus HIV 21 dias após a infecção, com o novo teste essa janela imunológica cai para 8 dias. Isso significa que o risco de se coletar sangue contaminado com HIV passará de 1 bolsa em 250 mil para 1 bolsa em 3 milhões. Já no caso da hepatite C, a janela imunológica passará de 72 para 14 dias. A janela do Elisa, o teste utilizado atualmente, é maior porque ele detecta os anticorpos produzidos pelo organismo na tentativa de destruir o vírus enquanto o NAT identifica o material genético do próprio vírus.
O Prêmio Nobel para a categoria fisiologia ou medicina foi entregue hoje a três cientistas, pelas descobertas do vírus HIV e do vírus que causa o câncer cervical. Metade do prêmio foi destinado ao cientista alemão Harald zur Hausen, por sua descoberta de que o vírus humano papiloma conduz ao câncer cervical nas mulheres. A outra metade do prêmio foi dividida pelos franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier, que descobriram o vírus HIV, causador da AIDS. O prêmio, que tem sido realizado desde 1901, corresponde a cerca de dois milhões de reais.
Link: The Nobel Prize in Physiology or Medicine 2008
Na última quinta-feira, dia 4, Brasil e Moçambique fecharam um acordo que prevê, ainda para este ano, a instalação da primeira sede da Fundação Oswaldo Cruz fora do país. O local escolhido para as instalações foi Maputo, capital de Moçambique, e já existem sete projetos que integram esse acordo de cooperação científica. Entre eles se destacam a instalaçao de uma fábrica de medicamentos – que produzirá inclusive os anti-retrovirais usados no tratamento da AIDS - e a reformulação do Instituto Nacional de Saúde local. Também faz parte do acordo a formação de recursos humanos. ‘Hoje, temos um mestrado em Angola - em saúde pública; um em Moçambique - de laboratório; e um doutorado em Cabo Verde e na Guiné-Bissau. A idéia é formar os primeiros 43 alunos esse ano e, depois, abrir uma turma de doutorado para 12 alunos’, explicou o coordenador de Cooperação Internacional da Fiocruz, José Roberto Ferreira. Para mais informações, acesse o site da Fundação.
A especialista-sênior na área de saúde do Banco Mundial, Joana Godinho, afirmou que o programa brasileiro de prevenção contra a AIDS e o HIV atingiu a maioridade, mas ainda conta com lacunas em áreas como gerenciamento e campanhas de informação. Desde 1988, o Bird já investiu um total de US$ 400 milhões na parceria com o governo brasileiro, fazendo com que a taxa de soropositivos, que era semelhante às da África, caísse para 0,6% da população adulta. Previa-se que o Brasil teria 1,2 milhões de pessoas infectadas com o vírus da AIDS no ano 2000, porém atualmente o número não passa de 620 mil. Apesar do sucesso, Joana ainda vê a necessidade de progressos em diferentes setores, como o de informações relativas aos grupos considerados mais vulneráveis: homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, usuários de drogas injetáveis e mulheres grávidas. ‘É preciso atuar muito mais com o SUS para alcançar pessoas em comunidades mais remotas, por exemplo, no Norte e no Nordeste.’, ela afirma. A experiência brasileira deve servir de modelo na 27ª Conferência Internacional sobre AIDS que acontecerá no início de agosto na Cidade do México.
O HIV InSite é desenvolvido pelo Center for HIV Information (CHI) da University of California San Francisco (UCSF), uma das principais instituições de saúde do mundo. O site tem um amplo arquivo de materiais originais, incluindo o HIV InSite Knowledge Base, um livro texto completo com diversas referências e uma relação de links organizados por tópico. O acesso a todo o conteúdo do site é livre e gratuito.
A UNITAID foi criada em 2006, é formada por um grupo de países - incluindo Brasil, Grã-Bretanha, Chile, França, Noruega - e financiada por uma taxa cobrada nas passagens de avião. O principal objetivo da agência é a compra de remédios para AIDS, tuberculose e malária porém, seu maior desafio é estabelecer um mecanismo para enfrentar o custo proibitivo dos medicamentos, que acabam ficando fora do alcance da população mais pobre. No momento, ela estuda a viabilidade de um ‘fundo para patentes’ que poderia deter as licenças de remédios patenteados e permitir a fabricação de remédios a baixo custo para os países pobres. Atualmente, apenas uma parcela ínfima da população desses países tem acesso aos medicamentos mais recentes.
Gestão Estratégica de Clínicas e Hospitais é livro que chega no melhor momento possível,ao se considerar a carência bibliográfica no vernáculo sobre o tema aqui e ali, precariamentepreenchida pela tradução de outros idiomas e culturas; distantes com toda obviedade de nossa realidade médico-assistencial.É sabido o Brasil apresentar sistema de saúde cuja marca são grandes diferenças na organização e hierarquia doacuidados e atenção da população - daí a necessidade de se criar e recriar , perseguidondo-se as melhores soluções de acordo com nossas próprias necessidades.